Mapa Site

Biblioteca

Artigos Voltar

Com que freqüência você avalia seus investimentos?

Aquiles Mosca, para o Valor Econômico
21/01/2008

Uma vez que todo investidor possui forte aversão ao risco, e principalmente ao risco de perdas, a freqüência com que observa o retorno de suas aplicações tem impacto relevante sobre suas escolhas e decisões de investimento.

Quando uma determinada aplicação apresenta ao mesmo tempo um retorno histórico elevado e um risco igualmente alto, como é o caso das aplicações em bolsa de valores, a probabilidade de que sua performance seja negativa é maior quanto menor é o período de análise. Por outro lado, quanto maior é o horizonte de análise, maior tende a ser o ganho médio observado, uma vez que retornos extremos, muito elevados ou muito baixos, tornam-se cada vez menos freqüentes. O mesmo ocorre ao jogarmos cara ou coroa: a probabilidade de perdermos três vezes seguidas ao escolher cara em 3 arremessos é muito maior (1 em 8) do que quando realizamos 300 arremessos. Em 300 arremessos, podemos ter razoável certeza de que ganharemos por volta de 150 vezes ao escolher cara a cada nova jogada.

Da mesma forma, a bolsa, quando observada em períodos longos, revela ganhos líquidos positivos ante a taxa de juros, algo ao redor de 6% a 7% acima nos países desenvolvidos, e uma probabilidade quase nula de retornos negativos. Mas, em horizontes curtos, o risco de perdas é elevadíssimo. Assim, as aplicações em bolsa serão mais atrativas para o investidor avesso ao risco quando seus ganhos forem observados e analisados em períodos mais amplos.

Estudo da Universidade de Berkeley realizado em 1999 procurou analisar o impacto da freqüência de observação dos retornos sobre as escolhas e decisões de investidores. Um grupo de 80 aplicadores foi colocado ante dois fundos de investimento (A e B), sobre os quais não tinham nenhuma informação. A decisão de alocação deveria ser feita só com base nas informações sobre performance passada. Os investidores foram, então, divididos em três grupos, diferenciáveis apenas pela freqüência de alocação e pelo espaçamento com que recebiam informações sobre a performance passada de cada fundo.

Ao primeiro grupo foi dado um tratamento mensal. Precisavam tomar 200 decisões de investimento em um mês. Após cada decisão, eles recebiam o retorno observado no período precedente. O segundo grupo foi submetido a um tratamento anual, ao longo do qual precisavam tomar 25 decisões, cada uma com efeito sobre os oito períodos subseqüentes e, ao término do qual, recebiam a performance resultante de suas decisões. O terceiro recebeu tratamento plurianual, para o qual os investidores decidiam e recebiam a performance passada apenas após 40 períodos sucessivos.

Os resultados comprovam que a alocação de recursos tende a se concentrar cada vez mais no fundo "A", menos arriscado, quando observamos as decisões tomadas pelo primeiro grupo de investidores, caracterizado pela alta freqüência de observação de retornos passados. Em média, esse grupo alocou 60% de sua carteira no fundo "A", de baixo risco. Já nos dois outros grupos, onde os períodos de análise de retornos eram mais longos e espaçados, a alocação no fundo "A" foi em média de apenas 30%. Vale aqui mencionar que os retornos atribuídos aos fundos "A" e "B" foram os dos títulos do tesouro americano e da bolsa americana (conforme medida pelo índice S&P 500) respectivamente.

Essa tendência comportamental foi denominada pelo economista Richard Thaler (1995) de "aversão míope a perdas", configurada por uma sobreestimação da aversão ao risco causada pela alta freqüência e curto período de análise dos retornos. Avaliações constantes tornam as ações menos atraentes para a maioria dos investidores que passam a alocar um parcela menor que aquela adequada a seu perfil e propensão ao risco, privando a carteira de investimentos dos retornos extraordinários apresentados por tal modalidade de investimento em períodos mais longos de análise.

Para o investidor brasileiro, essa tendência comportamental tem importância significativa para sua carteira de investimentos. Segundo pesquisa do Ibope preparada para a Anbid, 75% dos investidores brasileiros pessoa física avaliam a performance de suas aplicações todo dia ou mensalmente, ainda que a maioria mantenha seus investimentos sem realizar saques por mais de 24 meses. Ou seja, em média o aplicador brasileiro tem horizonte de aplicação que comportaria um percentual significativo de alocação em ativos de risco, porém, a alta freqüência com que os ganhos são analisados tem um papel importante para que essa alocação em risco, e seus conseqüentes retornos extraordinários, estejam abaixo do que seria ideal caso a análise da performance ocorresse de forma menos freqüente.

Os resultados do estudo convidam o investidor brasileiro, que está começando a habituar-se com ativos de risco na carteira, a seguir suas aplicações de maneira menos ativa. Ao portar-se dessa forma, o investidor poderá mais facilmente conviver com as flutuações de curto prazo típicas dos ativos de risco, sem abrir mão dos retornos interessantes que oferecem ao longo do tempo.

Fundos de investimento não contam com garantia do administrador, do gestor, de qualquer mecanismo de seguro ou fundo garantidor de crédito - FGC. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. Leia o prospecto e o regulamento antes de investir.
JMalucelli Investimentos – Grupo JMalucelli
Rua Visconde do Rio Branco, 1488 – 4º andar – Centro – Curitiba/PR – CEP: 80420-210
Tel: (41) 3351-9966 – Ouvidoria 0800 645 6094
E-mail: atendimento@jmi.com.br
Desenvolvido por Bruc Internet