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Valor Econômico - Os piores inimigos dos investidores em fundos mútuos são eles mesmos

Por James Saft - 28/04/2015

Se o investidor típico em fundos mútuos fosse um cavalo de corrida, haveria um argumento veterinário digno para a eutanásia. Segundo o "Dalbar Quantitative Analysis of Investor Behavior", um estudo anual sobre o comportamento dos investidores, os aplicadores em fundos mútuos tiveram um ano típico em 2014, o que quer dizer que eles ficaram muito atrás dos mercados.

O investidor médio em fundos de ações teve um ganho de apenas 5,5% no ano passado, em comparação ao retorno de 13,69% do índice de ações Standard & Poors 500 (S&P 500). Os investidores em fundos de renda fixa ganharam apenas 1,16%, apesar de o índice de bônus Barclays Aggregate ter subido 5,97%.

"Talvez a evidência mais forte de que o comportamento do investidor leva a tomadas de decisões ruins seja o resultado final", destaca a análise, que vem sendo realiza há 21 anos. "O objetivo do investidor é maximizar a valorização do capital, minimizando ao mesmo tempo a depreciação do capital. O investidor médio em fundos mútuos simplesmente não conseguiu nenhuma das duas coisas."

O estudo usa vendas e resgates de fundos e dados das bolsas de valores para atribuir o desempenho do investidor médio. Não é que 2014 simplesmente foi um ano ruim. Ao longo dos últimos 20 anos os investidores em fundos de ações tiveram um retorno anualizado médio de 5,19%, em comparação aos 9,85% do S&P 500. Em 30 anos eles ganharam apenas 3,79% ao ano com os fundos de ações batendo a inflação em apenas meio ponto porcentual por ano. Os investidores em fundos de renda fixa tiveram um ganho anualizado de apenas 0,80% em 20 anos, menos que a taxa anual da inflação no período, de 2,28%.

O problema, ao que parece, é que os investidores tentam prever os movimentos do mercado e erram feio, saindo dele apressadamente durante as fases de baixa e comprando quando a força do mercado os deixa otimistas.

Em 20 anos o cotista médio de um fundo mútuo de ações só conseguiu permanecer aplicado em um determinado fundo por 3,41 anos em média. Mais uma vez, o problema provavelmente não é o fato de os investidores saírem dos fundos na hora errada do ciclo de vida dessas carteiras, e sim o fato de que a decisão de comprar e vender um fundo geralmente é motivada pelo desempenho do mercado. As pessoas ficam por mais tempo com as ações durante as fases de alta do mercado e saem mais frequentemente durante as fases de baixa, exatamente o oposto do que fariam se tivessem perspicácia.

Os piores meses

Uma olhada nos piores meses nos últimos 30 anos, em termos de desempenho inferior ao do mercado, ilustra bem esse ponto. O pior mês individual foi outubro de 2008, quando os investidores em fundos de bônus perderam quase 25% de suas aplicações, ficando abaixo dos mercados amplos, que também encolheram 7,41 pontos percentuais. O terceiro pior mês foi outubro de 1987, quando os investidores ficaram atrás dos mercados em 5,33 pontos percentuais, perdendo quase 27% no mês.

Essa tendência de ceder ao pânico é extremamente destrutiva. Portanto, a questão é: o que os investidores devem fazer? Parece haver duas alternativas amplas: conseguir prever melhor as oscilações do mercado ou ser melhor em evitar prever as oscilações do mercado.

As duas estratégias podem envolver o emprego de um consultor, seja alguém que você acredita que conseguirá detectar melhor as tendências e propor alocações para ganhar com elas, ou simplesmente alguém que vai segurar na sua mão quando você entrar em pânico, impedindo-o de tomar decisões de alocação que se mostram destrutivas.

Eu diria que tentar prever melhor as oscilações do mercado é uma causa perdida, especialmente para o investidor típico em fundos mútuos, que não possui grande perspicácia e que muito provavelmente não recorrerá a um consultor, que de certa forma é abençoado com perspicácia. É quase certo que isso não acontecerá e as únicas pessoas que definitivamente serão beneficiadas se você tentar serão os intermediários.

Portanto o outro caminho, de se segurar em momentos de estresse, é aquele que deve ser seguido. Não estou aqui defendendo a compra e manutenção de fundos mútuos de gestão ativa, uma vez que acredito que você ficará melhor com os fundos de índices. Mas, se você tiver que comprar fundos ativos, compre e mantenha, e pelo menos consiga os melhores benefícios possíveis das movimentações do mercado.

Chegamos portanto ao valor de um consultor. Se o consultor puder ajudar alguém a assumir um nível apropriado de risco, por meio de exposição a uma classe de ativos, e manter essa posição, esse consultor poderá muito bem valer o que custa, especialmente quando comparado às decisões típicas que as pessoas parecem tomar por conta própria. (Tradução de Mario Zamarian)

James Saft é colunista da Reuters. As informações contidas neste texto refletem as opiniões do autor e não as da Reuters ou do jornal Valor.


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