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Valor Econômico - Distorções nos fundos "small caps": quando o gato vira cão

André Rocha, para o Valor Econômico.
14/02/2012

Em teoria, os fundos classificados como "small caps" são compostos por companhias de baixa capitalização, ou seja, com pequeno valor de mercado. Será?

Um fundo para ser enquadrado como small caps de acordo com as regras da Anbima, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, deve investir, no mínimo, 90% em ações de empresas que não estejam incluídas entre as 25 maiores participações do IBrX - Índice Brasil, composto pelas cem ações mais negociadas na bolsa. Os 10% remanescentes podem ser aplicados em caixa ou em ações de maior liquidez ou capitalização de mercado, desde que não estejam incluídas entre as dez maiores participações do IBrX. Os recursos em caixa devem ficar investidos em operações permitidas, cuja referência seja o DI. Não é permitido alavancagem nesses fundos.

A metodologia adotada pela Anbima leva a algumas distorções. A 27ª ação do IBrX é Pão de Açúcar PN (PCAR4), cuja liquidez média diária atinge quase R$ 40 milhões e cujo valor de mercado (número de ações multiplicado pelo total de ações) alcança R$ 19,2 bilhões. As ações preferenciais de Eletrobras (ELET6) também são passíveis de investimento (40ª posição), apesar de a companhia do setor elétrico ter uma capitalização de R$ 26,7 bilhões. Tanto Pão de Açúcar quanto Eletrobras não são empresas que eu chamaria de small caps.

Além disso, a possibilidade de aplicar até 10% do patrimônio em ações classificadas entre a 11ª e a 25ª posições permite ao gestor investir em gigantes como a empresa de alimentos Brasil Foods (valor de mercado de R$ 29 bilhões), a petroleira OGX (R$ 55,9 bilhões) e a distribuidora e geradora Cemig (R$ 23,3 bilhões).

Outra inconsistência da classificação é que, indiretamente, o gestor consegue investir nas ações mais líquidas do IBrX. Por exemplo, é possível investir nas ações da mineradora Vale por intermédio dos papéis de sua controladora Bradespar. As ações preferenciais (PN) da holding (BRAP4) estão classificadas na 29ª posição do IBrX, enquanto as preferenciais de Vale (VALE5) estão na 3ª posição e as ordinárias de Vale (VALE3), na 6ª. E se o gestor tem interesse em aplicar nas ações preferenciais de Gerdau (GGBR4)? Embora não seja válido aplicar na siderúrgica, o regulamento permite o investimento nas preferenciais de sua controladora, a Metalúrgica Gerdau (GOAU4).

O Índice Small Cap (SMLL) passou a ser divulgado pela BM&FBovespa em 2008. Apesar de na época da divulgação ter gerado grande expectativa, esse índice não tem sido usado como referência para a maior parte dos fundos small caps como me disse o gestor de um dos maiores fundos do mercado. Por quê? A composição do SMLL se altera de forma significativa quadrimestralmente, o que inviabiliza sua utilização pelos gestores. Imagine que 20% da composição da carteira mude na revisão. Essa situação fará com que o administrador tenha que se desfazer de um quinto de seu patrimônio em um curto espaço de tempo. E o procedimento pode afetar fortemente a cotação dos papéis, especialmente a de ações de baixa liquidez.

Se por um lado a metodologia adotada pela Anbima leva a distorções na composição dos fundos "small caps", por outro, é eficaz na diversificação. As ações que ocupam as dez primeiras posições no IBrX, como Petrobras PN (PETR4), Itaú Unibanco PN (ITUB4), Vale ON (VALE3), Petrobras ON (PETR3), Bradesco PN (BBDC4), Vale ON (VALE3), Ambev PN (AMBV4), Itaúsa PN (ITSA4), Banco do Brasil ON (BBAS3) e BM&Fbovespa ON (BVMF3), representam 40% do Ibovespa.

Assim, os fundos small caps tendem a apresentar rentabilidade distinta da registrada pelo principal índice do mercado acionário brasileiro, favorecendo a diversificação do portfólio do investidor. Em minha opinião, os valores de mercado dos ativos que compõem os fundos small caps deveriam obedecer a um teto - companhias com capitalização de até R$ 7 bilhões. Alguns gestores já utilizam essa metodologia ou adotam outra baseada em ações com baixa liquidez diária.

http://www.valor.com.br/financas/2528860/distorcoes-nos-fundos-small-caps-quando-o-gato-vira-cao

 

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